Idiota Por Um Tempo, Feliz Para Sempre


A coisa certa a se fazer é, geralmente, óbvia.

Não é a é escolha que é difícil. Difícil é lidar com o que escolha significa.

Preciso ter essa conversa difícil com você. Eu preciso ferir seus sentimentos. Preciso fazer algo difícil. Preciso me libertar dessa prisão de viver como você pensa que eu preciso viver.

O preço de evitar encarar essas coisas é ser miserável. Enquanto a dor de lidar com as dificuldades é intensa, ela se vai rápido. Já ser miserável é uma escolha para o resto da vida.

E essa escolha para o resto da vida - ser miserável - é a minha barganha com a dor de fazer algo difícil.

Mas e se eu fizer algo idiota?

Acredito que isso seja o que mais me impede de tomar as decisões importantes, difíceis e corretas. E não é um medo irracional. Porque depois de ter tomado tantas decisões difíceis na vida eu sei que as coisas pioram antes de melhorar.

Isso significa que, aos olhos de todos ao meu redor, minha decisão vai primeiro parecer idiota, e eu vou precisar atravessar a fase de adaptação que vem logo depois para ver a grandiosidade da minha decisão aparecer. 

Poucos vão acreditar em mim, menos ainda vão me dar suporte, e todos aqueles que se beneficiam da minha miséria farão o possível para me ver falhar e voltar à situação anterior. 

E é por isso que parece mais difícil ainda. Muitas vezes eu não chego nem ao estágio de demonstrar que estou miserável. Estou com vergonha demais do próximo estágio. Então melhor nem começar.

Foi assim para partir

Você está aqui hoje tendo acesso à esse texto porque, de alguma forma, admira o que eu faço. Mas o início não foi bonito, tampouco romântico, e contou com toneladas de medo e pessoas tentando nos destruir de todas as formas que puderam.

Quando começamos a planejar a viagem (que era uma turnê de dois anos) éramos uma banda de cinco pessoas. Até o dia de partirmos, já éramos três, por pressão de todas as pessoas que eram dependentes da nossa condição de dependência.

Quando chegamos à 23 dias de viagem, voltamos para casa, vendemos tudo e partimos sem olhar para trás - e aí já éramos só dois. Por meses ainda sofremos os ataques dos que ficaram. Éramos ingratos, malditos, por termos deixado na mão quem nos amava.

Ou será que deixamos sem nada quem não tinha mais nada à oferecer?

Foram três anos pelas ruas até que os primeiros reconhecimentos chegaram - e muito mais na forma de tapinhas nas costas que de qualquer outra maneira útil.

E finalmente, a glória

Aprendi a nunca mais deixar qualquer aspecto da minha vida ser miserável. Se está ruim, fecho a cara, bato o pé como uma criança mimada. Ninguém vai me dizer se tenho direito a ser feliz ou não. Eu demando isso

E parto para a ação, já ciente de que vai parecer uma decisão ruim logo de cara, que pode levar anos para se tornar o que eu quero.

Mas parado eu não fico. Miserável, muito menos.

Eu quero e eu quero agora.

Ou como alguém me disse, anos atrás: Viva por um tempo como ninguém viveria e o resto da vida como todo mundo gostaria.


10 comentários


  • Maria Rosana Fernandes

    Em um.momento na vida me perguntei o que era viver na morte? Em uma busca de respostas fechei os olhos procurando me isolar de tudo e fui ate o utero de minha mãe e neste momento de vida nao sei nada de mim perguntei sera que venho da morte ou vou para ela?… se a vida nada sabe o que e viver na morte! quando estamos na morte ela nao revela sua esistencia para quem vive… nos ensinam a crer apenas no que tem vida,porem tem que acredita em vida apos a morte…
    E assim fecho os olhos e busco a morte em vida …
    Me vejo em um útero e nele eu sinto meus sinais … estou nascendo e como se libertasse barreiras e nao parasse de avançar ate chegar em um ar para meus pulmões….
    Me vejo cansada e debruçou sobre meus joelhos pois preciso de ar…
    Agora me ergo e corro , corro e corro pois quero viver a morte sentir teu ar ver tuas belas paisagens tuas flores …
    Agora corro com alegria porque ja sei que venci a vida e vou viver a morte … atravessei a barreira que me prendia e me escravisava como um ser inutil e despresivel me pondo regras me fazendo ser um individuo descartavel e pondo tempo para eu ser algo definido “escravo” de dogmas e belezas me fazendo engolir minha verdadeira indentidade…
    Continuo de olhos fechados imaginando que a morte me daria assas, pois não tenho teto mas nao fujo do vento pois ele e suave e me faz bem , nao tenho fome porque nao sou proibido de comer, nao tenho doença porque meu corpo se fortalesse com minha satisfação de felicidade cheio de amor, nao estou so porque tudo em minha volta me abraça me toca com um bem vindo a vida da morte nao preciso me esconder por ter meus proprios desejos e vontades e escolhas pois cada um e livre e vooa mesmo nao tendo assas…
    Abro os olhos para vida e ja nada me faz temer pois sei que um dia eu viverei a morte e serei livre como todos deveriam ser ao nascer….


  • Myriam

    “Pessoas dependentes da nossa condição de dependência”. Taí uma pessoa que não quero ser. Isso,pra mim, é ser miserável e nem mesmo se dar conta disso… Grata por compartilhar com a gente sua experiência e aprendizado ❣️


  • Dimas

    Quando se é jovem, jovem a mais tempo como eu, você olha e percebe que foram muitas e diversificadas decisões e escolhas para chegar até aqui.
    Sou feliz agora, portanto esta é a resposta incontestável que foram escolhas acertadas.
    Óbvio que caí e quebrei a cara algumas vezes e esta foi a lição que me ensinou a cuidar de feridas, me fortalecer, levantar e seguir em frente.
    O tempo é o filtro que mostra quem realmente está do seu lado.
    Alguns ficam pelo caminho. Outros surgem como anjos.

    Admiro vocês.
    Admiro a coragem da decisão nada fácil de assumir uma vida nômade. Conhecendo lugares, culturas e principalmente pessoal.
    Com certeza, na grande maioria, pessoas de bem.
    Vocês nos inspiram.
    É muito gratificante poder estar aqui.


  • José Carlos Gonçalves da Silva

    Como eu fui um cara que passou a vida sem coragem para decisões. Estou aprendendo ( mesmo que tarde) com vocês. Vivi pouco em função da minha vida. Vivi mais em função da vida de outros,como: família,amigos,etç. Dei muito murro em ponta de faca para aprender. E enquanto o dia amanhecer pra mim, pretendo aprender mais. Mas ninguém é perfeito,somo lapidado com o tempo, e as cicunstância.


  • Sergio Cardoso

    Coragem é mudar de vida e isso Vcs possuem muito.
    Mas há beleza também na vidinha aparentemente monótona e sem sentido. Só aparências.
    Agora nós casos em que a miséria impera …avante!


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